Filtros polidores de CO₂ exigem manutenção programada em linhas de envase de bebidas

Substituição periódica dos cartuchos mantém a função da barreira de proteção; em plantas que ainda não utilizam o sistema, análise envolve riscos associados à qualidade do gás empregado na produção

O dióxido de carbono utilizado na produção de refrigerantes, águas gaseificadas, cervejas e outras bebidas carbonatadas participa diretamente do produto final.

Por essa razão, a qualidade do gás que chega à linha de envase integra os controles relacionados à qualidade dos ingredientes e ao processo produtivo.

A International Society of Beverage Technologists (ISBT) reúne profissionais e empresas dedicados aos aspectos científicos e técnicos da indústria de bebidas e mantém referências técnicas utilizadas pelo setor.

Filtros polidores de CO₂ exigem manutenção periódica. Entenda a troca de cartuchos, os riscos de contaminação e a proteção das linhas de envase.

Mesmo quando o CO₂ é fornecido acompanhado de certificado de qualidade, sistemas de filtragem podem ser instalados na própria planta como uma barreira adicional antes do ponto de utilização.

O fabricante britânico Sure Purity desenvolve sistemas de polimento de CO₂ destinados a plantas de engarrafamento e cervejarias, com filtragem em múltiplos estágios para retenção de até 10X os índices de contaminantes tolerados pelo ISBT.

Esse conceito já foi abordado pelo Portal UDOMAK na matéria sobre proteção da qualidade de bebidas carbonatadas com filtros polidores de CO₂.

A etapa seguinte do controle envolve duas situações distintas: a manutenção dos sistemas que já estão instalados e a avaliação da necessidade da barreira nas operações que ainda dependem exclusivamente dos controles realizados antes do recebimento do gás.

Cartuchos possuem período definido de manutenção

Filtros polidores não constituem uma proteção permanente sem necessidade de intervenção. Os meios filtrantes possuem capacidade e vida útil definidas pelo fabricante e precisam integrar o planejamento periódico de manutenção da planta.

No caso do CARBOGUARD, os materiais técnicos da Sure Purity estabelecem kits de manutenção anual e substituição dos cartuchos a cada 12 meses.

Os conjuntos incluem cartuchos adsorventes e o pré e pós-filtro, conforme a configuração instalada.

A documentação pública mais recente do fabricante também mantém a indicação de substituição dos cartuchos CARBOGUARD em intervalos de 12 meses, sendo os únicos que incluem a remoção do COS (sulfeto de carbonila), que quando contamina o CO2, apresenta odor a ovo podre.

A periodicidade precisa, portanto, ser tratada da mesma forma que outros itens programados de uma linha de produção. A existência física do filtro não significa, por si só, que a barreira esteja sendo mantida conforme as condições previstas pelo fabricante.

Segundo Udo Sprengel, especialista técnico da UDOMAK, o filtro polidor funciona como proteção adicional contra ocorrências relacionadas à qualidade do gás utilizado na produção. “Trata-se de um ‘seguro’ contra incidentes de contaminação que podem ocorrer através do gás carbônico”, explica.

Hidrocarbonetos, compostos de enxofre e umidade estão entre os contaminantes considerados

Os materiais técnicos do CARBOGUARD relacionam diferentes grupos de contaminantes que podem estar associados ao CO₂ utilizado pela indústria de bebidas, incluindo hidrocarbonetos voláteis e aromáticos, acetaldeído, álcoois, umidade, sulfeto de hidrogênio (H₂S) e sulfeto de carbonila (COS).

A tecnologia utiliza diferentes estágios de tratamento. Segundo a Sure Purity, o sistema padrão trabalha com cinco estágios de proteção e utiliza processos de adsorção para reter potenciais impurezas presentes no CO₂ antes de sua utilização na bebida.

Por isso, o acompanhamento do intervalo de manutenção não representa apenas uma questão mecânica. Ele está relacionado à própria função para a qual o sistema foi instalado: manter uma barreira entre o CO₂ recebido pela planta e o produto que será envasado.

Certificado de qualidade e barreira na planta cumprem funções diferentes

O certificado apresentado pelo fornecedor documenta as condições verificadas na planta de extração do gás e não na sua condição de entrega ao engarrafador. O filtro polidor atua em outra etapa: no interior da própria operação, antes da utilização do CO₂ na linha de envase.

São, portanto, controles complementares.

Nos materiais técnicos fornecidos à UDOMAK, a Sure Purity destaca que o CO₂ utilizado em bebidas pode ter uma cadeia de suprimentos complexa e que potenciais impurezas podem variar conforme a origem do gás.

A proposta da filtragem em múltiplas barreiras é acrescentar um controle permanente no ponto de utilização.

Para plantas que já incorporaram essa tecnologia, a questão operacional passa a ser a manutenção do sistema dentro do intervalo previsto.

Para aquelas que ainda não possuem filtro polidor, a análise é diferente: envolve avaliar se o certificado e os controles existentes representam o nível de proteção que a organização considera adequado para sua operação. [a história já mostrou que não são)

Um incidente pode ultrapassar o custo do produto descartado

Na indústria de bebidas, uma ocorrência relacionada à qualidade pode produzir consequências que ultrapassam a perda física de um lote.

Dependendo da extensão do problema, podem surgir interrupções de produção, bloqueio ou recolhimento de produtos já distribuídos, investigação da causa, descarte, logística reversa e impacto comercial. (perda do valor da MARCA é o maior dos custos.

É por esse motivo que a discussão sobre filtros polidores também está associada à proteção da marca. O material técnico da Sure Purity apresenta o sistema justamente como uma barreira voltada à prevenção de incidentes relacionados a impurezas do CO₂ e à preservação da qualidade das bebidas.

Essa análise é especialmente relevante porque determinados contaminantes podem estar presentes em concentrações muito pequenas. A ausência de alteração aparente na rotina da planta não substitui o controle técnico estabelecido para a qualidade do ingrediente.

Dimensionamento também precisa acompanhar a produção

A manutenção dos cartuchos é apenas uma das variáveis do sistema. A capacidade do filtro precisa estar compatível com o consumo de CO₂ da linha.

A linha CARBOGUARD possui configurações modulares para diferentes capacidades de processo. O material técnico prevê a possibilidade de adicionar módulos conforme a demanda, o que permite adequar a configuração quando há alteração relevante na capacidade produtiva.

Por isso, aumentos de produção, implantação de novas linhas ou alterações no consumo de gás também podem justificar uma revisão do dimensionamento instalado.

Em uma avaliação periódica, podem ser considerados capacidade do sistema, vazão requerida pela produção, condição dos cartuchos, data da última substituição e planejamento da próxima intervenção.

Manutenção programada reduz o risco de perder a função da barreira

A existência de uma rotina documentada facilita o acompanhamento do sistema ao longo do tempo. Data da instalação, modelo utilizado, capacidade, substituições realizadas e próxima manutenção podem integrar os registros técnicos da planta.

A UDOMAK disponibiliza sistemas SURE PURITY para polimento de CO₂ e atende demandas relacionadas à análise, dimensionamento, instalação e manutenção dessas soluções para a indústria de bebidas.

Para plantas que já possuem a proteção, a pergunta central é objetiva: os cartuchos instalados ainda estão dentro do período de manutenção recomendado pelo fabricante?

Para operações que ainda não utilizam a tecnologia, a discussão começa antes: quais barreiras existem entre o CO₂ recebido e a bebida que chega ao mercado?

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